Um museu sobre rodas que espelha a sociedade e se camufla no espaço urbano.
Assim será a nova temporada do Busão das Artes, um caminhão-baú de 15 metros que se transforma em espaço expositivo e viaja o Brasil.
Uma jornada sensorial que une arte e educação ambiental.
Horário de funcionamento:
Das 10h às 17h
Agendamentos: lixuria@busaodasartes.com.br
Visitas agendadas para grupos: 10h, 11h30, 14h e 15h30
O que acontece com o que descartamos? Para onde vai aquilo que não queremos mais ver? E se o lixo, esse invisível cotidiano, ganhasse visibilidade, destaque e respeito? A exposição Lixúria, com curadoria de Marcello Dantas, propõe uma mudança no nosso olhar sobre os resíduos. Em um mundo que gera toneladas de lixo todos os dias, a mostra convida o público a reconhecer o valor do que é descartado, repensar os excessos de consumo e imaginar novas possibilidades de uso, memória e beleza a partir do que chamamos de lixo.
Instalada em um caminhão baú inteiramente espelhado, que reflete a cidade ao seu redor e confronta o público com sua própria imagem, Lixúria torna o lixo visível, sensível e instigante. Ao redor do caminhão, latas de lixo foram transformadas em instalações educativas e interativas. Dentro dele, experiências sensoriais e tecnológicas nos aproximam da materialidade dos resíduos.
O público pode se pesar em uma balança interativa que calcula quanto lixo uma pessoa gera ao longo da vida; interagir com uma instalação em realidade aumentada que mostra o tempo de decomposição e o potencial de reaproveitamento de diferentes materiais; explorar um mapa dos lixões e aterros e seus impactos nas cidades visitadas; e assistir, em uma sala de exibição, ao clássico curta "Ilha das Flores", de Jorge Furtado.
Obras inéditas de artistas renomados ocupam o interior do caminhão e as latas ao seu redor com instalações, esculturas e experiências que ressignificam materiais descartados como cápsulas de café, cerâmicas quebradas, restos de sabonete, redes de pesca, fios, tecidos e plásticos recolhidos na natureza. Lixúria é uma provocação e um convite: imaginar um mundo com menos desperdício e mais criatividade. A exposição valoriza práticas sustentáveis e coletivas, ao mesmo tempo em que estimula a reflexão sobre consumo, descarte e as desigualdades que o lixo escancara.
Premiado curador interdisciplinar com ampla atividade no Brasil e no exterior. Trabalha na fronteira entre a arte e a tecnologia, produzindo exposições, museus e múltiplos projetos que buscam proporcionar experiências de imersão por meio dos sentidos e da percepção.
Nos últimos anos esteve por trás da concepção de diversos museus, como o Museu da Língua Portuguesa e a Japan House, em São Paulo; Museu da Natureza, na Serra da Capivara, Piauí; Museu da Cidade de Manaus; Museu da Gente Sergipana, em Aracaju; Museu do Caribe e o Museu do Carnaval, em Barranquilla, Colômbia.
Realizou exposições individuais de alguns dos mais importantes e influentes nomes da arte contemporânea como Ai Weiwei, Anish Kapoor, Bill Viola, Christian Boltanski, Jenny Holzer, Laurie Anderson, Michelangelo Pistoletto,
Studio Drift, Rebecca Horn e Tunga. Foi também diretor artístico do Pavilhão do Brasil na Expo Shanghai 2010, do Pavilhão do Brasil na Rio+20, da Estação Pelé, em Berlim, na Copa do Mundo de 2006. Foi curador da Bienal
do Mercosul, realizada em 2022, em Porto Alegre, e é atualmente curador do SFER IK Museo em Tulum, no México. Formado pela New York University, Marcello Dantas é membro do conselho de várias instituições internacionais e mentor de artes visuais do Art Institute of Chicago.
Adrianna Eu
A partir das relações de afeto e das camadas que constroem o “eu”, a artista investiga o tempo, o espaço e a alteridade por meio de objetos carregados de memórias. Sua poética se articula em torno do humano, do íntimo e daquilo que se transforma. Na obra "Quem já não sou", que integra a exposição Lixúria, um conjunto de espelhos compõem uma espécie de casa de reflexos, em que o visitante se vê múltiplo e fragmentado. A instalação propõe uma imersão sensível sobre os diferentes “eus” que abandonamos ao longo da vida. Cada imagem refletida tensiona a fronteira entre o que fomos, o que somos e o que ainda podemos ser.
Coopa Roca
A cooperativa da Rocinha, Coopa Roca, reaproveita retalhos têxteis e sobras de tecido para criar peças artesanais, promovendo inclusão social e sustentabilidade por meio do design coletivo e da economia circular. A delicadeza do trabalho apresenta o invisível para exercitar o pensamento crítico. A obra apresentada na exposição Lixúria é um objeto tridimensional, fruto da colaboração dos artesãos da cooperativa e funciona como um alerta para os desdobramentos invisíveis do descarte.
Guto Lacaz
Artista-inventor que transforma objetos do cotidiano em obras de arte irreverentes. Seu trabalho destaca o absurdo e o humor por meio da reutilização de materiais banais, como o papel higiênico, atribuindo-lhes novos sentidos. Sua obra na exposição Lixúria, propõe a instalação de um espelho circular no topo de uma lata de lixo, unindo estética e crítica social. A combinação do espelho com o metal transforma um objeto "trash" em algo "chic", ao mesmo tempo em que convida à reflexão: cada pessoa é responsável pelo próprio lixo — você é seu lixo, seu lixo é você.
Janaina Mello Landini
Cria instalações com fios reutilizados e redes de pesca descartadas, explorando interdependência e conexões invisíveis. Suas obras unem desenho, escultura e arquitetura com materiais reaproveitados. Na obra que apresentará na exposição Lixúria, artista transforma restos de fios e lata de aço em uma teia intricada, expandindo sua série Ciclotrama. A artista dá novo sentido ao rejeito, evocando a interdependência entre os elementos e refletindo sobre os ciclos de descarte. A artista constrói assim, uma rede que convida à reconexão com o tempo, a matéria e o coletivo.
Sueli Isaka
Inspirada na técnica japonesa do Kintsugi, que valoriza as cicatrizes e a memória dos objetos quebrados, a artista criou para a exposição Lixúria, a obra "Juntando os cacos". Ao reunir fragmentos de porcelana, a artista transforma o que seria descartado em algo precioso, evocando reconstrução, afeto e resistência.
Jessica Mein
Trabalha com restos de sabonete e tramas desfeitas de tecidos, investigando os limites
da linguagem e a materialidade do traço. Reutiliza materiais cotidianos como suporte
artístico.
Na exposição Lixúria, a obra propõe um antimonumento feito a partir de sabonetes usados, quase desaparecidos. Fundidos em uma única peça, esses fragmentos íntimos formam uma escultura que acumula memórias de toques e corpos, refletindo sobre o
efêmero, o desgaste e a delicada geologia da existência cotidiana.
Karola Braga
Explora o cheiro do lixo como provocação sensorial e cultural. Questiona por que alguns odores causam repulsa e investiga, inclusive biologicamente, a função do nojo como mecanismo de proteção. Para essa exposição a artista criou a obra “O começo da memória é o fim da festa” com o cheiro de uma festa que já acabou. Dentro de uma lata de lixo, ela colocou confetes, fitas, um grampo dourado e… um cheiro em referência às festas de carnavais vividos. Esse cheiro doce guarda lembranças, desejos e rastros de quem esteve ali.
Nazareno
Reaproveita objetos simbólicos e memórias materiais, explorando a fragilidade e o afeto no que é esquecido ou deixado de lado. Sua obra resgata elementos do cotidiano com forte carga poética. Para essa exposição criou a obra "Olhos".
Serpente coral: canto em escamas
Sandra Lapage
Cria esculturas com materiais reciclados, como cápsulas de café descartadas, propondo reflexões sobre consumo, acúmulo e o impacto ambiental do lixo.
A obra “Eco da serpente cósmica” transforma uma lixeira em portal mitológico: uma serpente feita de resíduos evoca saberes ancestrais e convida a um novo olhar sobre o invisível e a potência criativa do lixo.
Já em “Serpente coral: canto em escamas”, fios cintilantes feitos com cápsulas de café se desenrolam ao abrir a lixeira, como uma cabeleira viva e sonora. A instalação transforma um gesto cotidiano em experiência sensorial, revelando beleza e mistério onde antes havia descarte.
Alexandre Farto aka Vhils
O artista português Vhils transforma o espaço urbano em território de memória e participação. Na obra para a exposição Lixúria, ele utiliza o piso como suporte para uma obra efêmera e coletiva. Em cada parada do caminhão, uma tela preta perfurada é estendida sobre o chão.
Materiais naturais e reaproveitados como areia, pó, ervas e fragmentos locais são aplicados com a ajuda do público, revelando imagens por contraste. Ao ser retirada, a tela deixa uma marca temporária no piso, feita a muitas mãos. Uma obra que ativa o território, valoriza os gestos simples e celebra a potência criativa do efêmero e coletivo.
Pirilampos do Planeta
Lula Duffrayer e Flávio Carvalho
Transformam resíduos plásticos descartados em esculturas luminosas. O projeto une arte e educação ambiental, promovendo oficinas de reutilização criativa com foco na conscientização ecológica. A obra "Não existe jogar fora, tá tudo aqui dentro" ocupa uma das lixeiras com uma instalação luminosa feita com resíduos plásticos e objetos do cotidiano.
A intervenção provoca reflexão sobre o consumo excessivo, o descarte invisibilizado e o poder de reencantar a matéria esquecida, revelando a memória e a energia contidas em cada resíduo.
Tomazicabral
A obra "Vindouro" propõe a criação de um “novo ouro” a partir dos resíduos de madeira. Utilizando cavaco machê — massa feita de restos de madeira — dourada com purpurina, a artista ressignifica o valor do que é descartado e questiona heranças coloniais, sugerindo que a verdadeira riqueza pode surgir daquilo que somos capazes de transformar com as próprias mãos.
Alexandre Farto aka Vhils
Propõe uma intervenção colaborativa com o público. Em cada parada, uma grande tela negra perfurada é posicionada sobre o chão claro, revelando, por contraste, uma imagem previamente desenhada. Essa superfície urbana servirá como suporte vivo da arte, construída a partir de materiais naturais encontrados no próprio local, como areia, pedras, ou ervas secas, recolhidos em parceria com a comunidade local. Esses materiais são aplicados sobre a tela para formar a imagem. O processo ativa o entorno, valoriza os recursos do lugar e estimula o engajamento coletivo na criação artística. Ao final, a tela é retirada, deixando no chão a marca efêmera da obra, que desaparece com o tempo, mas permanece na memória de quem participou.
Vik Muniz
Produzida a partir de seu projeto com os catadores do aterro sanitário Jardim Gramacho, da cidade do Rio de Janeiro
A experiência propõe atividades educativas que estimulam a criatividade, a consciência ambiental e o reaproveitamento criativo, inspiradas nas obras expostas e nos resíduos do cotidiano. Durante a visita, educadores formados pela equipe da Percebe, consultoria especializada em educativos de museus e exposições, conduzem oficinas lúdicas e reflexivas com materiais reaproveitados, como a construção de serpentes mágicas com cápsulas de café, a criação de sacolas a partir de camisetas usadas e a montagem de mini composteiras para observar o ciclo de decomposição. Os estudantes também recebem um caderno de atividades para continuar explorando os temas da exposição na escola ou em casa, despertando novos olhares sobre o lixo como potência transformadora.
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